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Poemas - Mário Quintana: Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora! Não é motivo para não querê-las… Que tristes os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas! A Magia da Poesia

Poemas - Mário Quintana: Projeto de Prefácio

Projeto de Prefácio Sábias agudezas... refinamentos... - não! Nada disso encontrarás aqui. Um poema não é para te distraíres como com essas imagens mutantes de caleidoscópios. Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe Um poema não é também quando paras no fim, porque um verdadeiro poema continua sempre... Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras. A Magia da Poesia

Poemas - Mário Quintana: Os Poemas

Os Poemas Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...

Escritores: MPB Sapiens - Poemas

MPBSapiens

Poemas - As tormentas

Um Site de Poemas http://www.escritas.org/

Poemas - Florbela Espanca: Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer razão do meu viver Pois que tu és já toda a minha vida! ... E, olhos postos em ti, digo de rastros: «Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»

Poemas - Vinicius de Moraes: Operário em Construção

Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as asas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. De fato como podia Um operário em construção Compreender porque um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá, cimento e esquadria Quanto ao pão, ele o comia Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse eventualmente Um operário em construcão. Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O operário foi tomado De uma subita emoção Ao constatar asso...

Poemas - Cecília Meireles: Tu tens um medo

Tu tens um medo: Acabar. Não vês que acabas todo o dia. Que morres no amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que te renovas todo o dia. No amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que és sempre outro. Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas. Até não teres medo de morrer. E então serás eterno astormentas.com

Poemas - Carlos Drummond de Andrade: Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. as tormentas.com

Poemas - Cora Coralina: Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta Ou longa demais pra nós, Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta, Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre, Olhar que acaricia, Desejo que sacia, Amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, É o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela Não seja nem curta, Nem longa demais, Mas que seja intensa, Verdadeira, pura... Enquanto durar. http://www.youtube.com/watch?v=VTlAdDe-5ok

Poemas - Carlos Drummond de Andrade: O Chão é Cama

O chão é cama para o amor urgente, amor que não espera ir para a cama. Sobre tapete ou duro piso, a gente compõe de corpo e corpo a úmida trama. E para repousar do amor, vamos à cama.

Poemas - Carlos Drummond de Andrade: Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim. http://www.fabiorocha.com.br/drummond.htm

Poemas - Carlos Drummond de Andrade: No Meio Do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra http://www.fabiorocha.com.br/drummond.htm

Poemas - Fernando Pessoa: Seja Feliz

Navegue. Descubra tesouros, mas não os tire do fundo mar. O lugar deles é lá! Admire a Lua, sonhe com ela, Mas não queira tazê-la para terra. Curta o Sol, deixe-se acariar por ele, Mas lembre-se que o seu calor é para todos! Sonhe com as Estrelas, apenas sonhe. Elas só podem brilhar no céu! Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda a parte, ele tem presssa de chegar! Não apresse a Chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos. Não pode molhar só o seu! As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr, na minha, na sua, em todas as faces! O sorriso? Esse deve segurar-se. Não o deixe ir embora, Agarre-o! Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias. Tranque, perca a chave, Quem você ama é a maior jóia que você possui. A mais valiosa! Não importa se a estação do ano muda, se o século vira. Conserve a vontade de viver. Não se chega a parte alguma sem ela! Abra todas as janelas que encontrar, e as portas também. Persiga um sonho. Não deixe ele viver...

Poemas - Mário Quintana

O Tempo A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Poemas: Maria Dinorah Luz do Prado: Como Vou em Ti?

Atrás do fio da Ausência ouço-te Livre e total. Casa vez mais a distância te apruma e reconstrói. Alegra-me e assustam-me Essa intima mudança. E uma pergunta salta Olhos de angustia: - Como vou em ti?

Poemas - Maria Dinorah Luz do Prado: Preocupação

Eu gosto tanto de brincar de infância que esqueço, às vezes, o apagar dos dias. Como se a vida, a derramar distância, fosse um brinquedo em minhas mãos vazias. Eu sofro tanto co'a desimportância que dão à infância as realidades frias, que esqueço, às vezes, sufocada de ânsia, a infância azul de minhas fantasias. E entre a verdade do passado ausência e do presente feito de violência, temo um futuro, onde a desesperança faça do homem este ser de espanto em cujos passos emudeça o canto que o fez tão grande, quando foi criança! Hora Nua

Poemas - Olavo Bilac: Via Láctea

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"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora! "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?" E eu vos direi: "Amai para entendê-las: Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Poemas - Paulo Cesar Pinheiro e João Aquino: Viagem nas Asas da Poesia

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Viagem Composição: Paulo César Pinheiro & João de Aquino composição musical: Baden Pawell Oh tristeza, me desculpe / Tou de malas prontas Hoje a poesia veio ao meu encontro Já raiou o dia, . . . vamos viajar Vamos indo de carona / Na garupa leve Do tempo macio / Que vem caminhando Desde muito longe / Lá do fim do mar Vamos visitar a estrela / Da manhã raiada Que pensei perdida / Pela madrugada Mas vai escondida, . . . querendo brincar Senta nessa nuvem clara / Minha poesia Anda se prepara / Traz uma cantiga Vamos espalhando música no ar Olha, quantas aves brancas / Minha poesia Dançam nossa valsa / Pelo céu que um dia Fez todo bordado de raios de sol Oh poesia me ajude / Vou colher avencas Lírios, rosas, dálias / Pelos campos verdes Que você batiza de jardins do céu Mas, pode ficar tranquila / Minha poesia Pois nós voltaremos / Numa estrela guia Num clarão de lua . . . .quando serenar Ou talvez até, quem sabe / Nós só voltaremos No cavalo baio, no alazã...

Poemas - Pablo Neruda: Ode a Cebola

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Benditos sejam todos os poetas! Graças a Deus existe gente que consegue ver beleza até mesmo em [ fonte ] http://www.jornalentreposto.com.br/fev2007/legume.htm ODE À CEBOLA Cebola, luminosa redoma, pétala a pétala formou-se a tua formosura, escamas de cristal te acrescentaram e no segredo da terra sombria arredondou-se o teu ventre de orvalho. Sob a terra deu-se o milagre e quando apareceu teu rude caule verde, e nasceram as tuas folhas como espadas no horto a terra acumulou seu poderio mostrando a tua nua transparência, e como em Afrodite o mar distante duplicou a magnólia levantando-lhe os seios, a terra fez-te assim, cebola, clara como um planeta, e destinada a reluzir, constelação constante, redonda rosa de água, sobre a mesa dos pobres. Generosa desfazes teu globo de frescura na consumação fervente do cozido, e o girão de cristal ao calor inflamado do azeite transforma-se em ondulada pluma de ouro. Recordarei também como a t...