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Educação: Fernandes - Pensamento e Frustração

Considero a tolerância à frustração como uma condição sine qua non para o pensar, um processo que ocorre com os encontros e com a interação entre os diversos pensamentos. Freud já mostrava que no princípio do prazer há a tendência da mente de livrar o aparelho psíquico de uma sobrecarga, ou seja, há o imediatismo, tão na pauta do dia nestes tempos em que há pressa e uma verdadeira aflição com resultados, enquanto a disponibilidade para pensar é muito pequena. Havendo sobrecarga, esta tem de ser extravasada logo. Entretanto, havendo tolerância à frustração, ocorre um rompimento dessa continuidade, abrindo possibilidades do surgimento e da convivência com algo novo. Pode-se dizer que, de certa forma, o pensamento é um substituto da descarga motora. A capacidade de pensar permite protelar e suportar a espera entre o momento do desejo e o da ação para satisfazer a necessidade.(120) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. P...

Educação: Fernandes - Aprendizagem (Fruto da Percepção de não Saber)

Conhecer é uma parte do pensar, mecanismo que é ativado a partir da necessidade instalada pela percepção de que não se sabe alguma coisa. Uma das condições que impedem o sujeito de aprender é não poder reconhecer que não sabe. (Fernades, 1997). (110) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. Porto Alegre: Artemed, 2003.

Educação: Fernandes - Aprender (Capacidade de Lidar com o Novo)

A aprendizagem está diretamente relacionada à capacidade de lidar com o novo. O novo incomoda, assusta, agride. A idéia nova contém uma força potencialmente disruptiva e ameaçadora, que desperta reações violentamente contrárias por aqueles que são portavozes de velhas estruturas, que não querem ver renovadas. Por exemplo, nos mitos do Éden, de Édipo e de Babel, a curiosidade de chegar ao conhecimento é castigada por ser um pecado. Tais mitos mostram as vicissitudes do indivíduo e dos grupos na busca da verdade, que é proibida pelos deuses.(110) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. Porto Alegre: Artemed, 2003.

Educação: Fernandes - O Grupo como Forma de Exercer Poder

Diz-se que o homem é um ser gregário, aludindo-se, com isso, à sua inata tendência a se agrupar para assegurar sua identidade e sua sobrevivência como espécie; porém, ao contrário de outras espécies animais, ele não se agrupa apenas para se defender dos perigos naturais ou para multiplicar sua capacidade de prover sustento e proteção à prole. O homem também se agrupa para instrumentalizar seu domínio e poder sobre seus iguais, mesmo quando esse domínio não esteja vinculado a questões de sobrevivência ou preservação da espécie. Os sistemas sociais, as instituições e os grupos em geral estão sempre a par de seus objetivos específicos – instrumentos de busca e manutenção do Poder (assim mesmo, maiusculado, para enfatizar sua magnitude, e inadjetivado, para caracterizar sua abrangência). Essa aspiração ou desejo de Poder está ligado às origens da condição humana e é o substrato dinâmico para as vicissitudes dos indivíduos em sua vida de relação (60) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Bett...

Educação: Fernandes - Modelos Vinculares

As pessoas relacionam-se a partir de modelos de vínculos –as matrizes vinculares. O bebê introjeta as estruturas vinculares a partir do mundo externo, começando pelos pais, e passa a conservá-las como padrão, sendo que a matriz vincular básica é a matriz edípica. As matrizes vinculares, configuradas como fantasias inconscientes, vão constituir o nosso caráter. Da mesma forma, o código dos homens de milênios – um tipo de conhecimento advindo do pensamento grupal – é colocado no primeiro ano de vida dentro de cada um, como conhecimento mítico.(44) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. Porto Alegre: Artemed, 2003.

Educação: Fernandes - Vínculo

Segundo a definição extraída do Novo dicionário Aurélio, a palavra vínculo (que vem do latim vinculum = atar) significa união de uma pessoa ou coisa com outra e que pressupõe uma certa durabilidade, como uma ligadura com nós. O vínculo tem um significado que se refere tanto ao mundo interno quanto ao relacionamento com a sociedade. Ele se situa entre o mundo intra, inter e transubjetivo, sendo um lugar de ilusão, de desdobramento do imaginário. FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. Porto Alegre: Artemed, 2003.

Educação: Fernandes - Freud em Fernandes

Uma questão que sempre intrigou cientistas sociais, filósofos e muitos dos pensadores a respeito do homem é: qual é a relação do indivíduo com a sociedade, com o meio que o circunda? Refletindo sobre essa questão, Freud chegou a algumas conclusões fundamentais: fatores históricos participam da estruturação da personalidade; o mundo externo é internalizado, de modo que passa a fazer parte da estrutura do indivíduo; ao mesmo tempo que o homem é seu próprio fim, ele, queira ou não, é o elo de uma cadeia; na base da constituição humana está a questão das identificações e do ideal do ego, ou seja, na presença marcante do outro. (34) ...Freud percebeu também que a história de cada homem inclui a história de seus grupos de pertença. Esses grupos, em uma certa medida, modificam-no perenemente, ao mesmo tempo em que são modificados pela sua influência. Modificam-no porque vão entrando nele e constituindo o seu mundo interno, mas a enorme complexidade consiste em que tudo o que penetra no ind...

Educação: Fernandes - Sujeito (Síntese Criativa)

Podemos pensar no sujeito como uma síntese criativa de uma trama complexa de fios que vêm de dentro e de fora e que surgem da própria interação desses dois âmbitos. (33) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. Porto Alegre: Artemed, 2003.

Educação: Fernandes - Grupos, Possuindo e Formando Realidades Psíquicas

Começo, então, definindo grupo como o lugar de uma realidade psíquica própria e também o aparelho de formação de uma parte da realidade psíquica de seus sujeitos.(33) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. Porto Alegre: Artemed, 2003 .

Educação: Fernandes - Grupo, uma Força Transformadora

Enfatizo que agrupar pessoas é possibilitar o surgimento de forças transformadoras, já que a existência humana é uma experiência ininterrupta de transformações. E é importante ressaltar que estas são recíproca, ou seja, o sujeito transforma permanentemente o meio que o transforma.(33) FERNANDES, José Waldemar; SVARTMAN, Betty e FERNANDES, Beatriz Silverio. Grupos e configurações vinculares. Porto Alegre: Artemed, 2003.